23/02/2010 - 11h00
2010: O Oscar da Ficção Científica
Em 1977, Guerra nas Estrelas e Contatos Imediatos do Terceiro Grau concorreram ao Oscar de Melhor Diretor. Mesmo perdendo para Woody Allen, George Lucas e Steven Spielberg registraram a primeira dobradinha da Ficção Científica na disputa. Trinta e três anos depois, o fenômeno se repete na disputa de Melhor Filme – claro, graças à expansão do número de indicados: Avatar, de James Cameron; e Distrito 9, de Neill Blomkamp, estão no páreo. Para completar o quadro, Quentin Tarantino entra na dança com sua História Alternativa de Bastardos Inglórios. Sem contar as indicações técnicas para Star Trek, e Coraline e o Mundo Secreto disputando Melhor Animação. É o Oscar da Ficção Científica e da Fantasia. Os benefícios são claros para um gênero assumidamente odiado pela Academia e, normalmente, tratado como subproduto cinematográfico. Entretanto tudo depende de uma coisa: a vitória de Avatar na categoria principal.

Por Fábio M. Barreto, de Los Angeles

 

Avatar será o Melhor Filme do Oscar 2010. Ou, pelo menos, deve ser. Razões não faltam para a nova coroação de James “Rei do Mundo” Cameron; e nenhuma delas é inócua. Entretanto a disputa dessa categoria extrapola a mera qualidade técnica nessa edição do evento que continua sofrendo com problemas na audiência e, de forma arriscada e benéfica, ampliou a quantidade de concorrentes. Com mais filmes de sucesso envolvidos, mais gente se interessa pela premiação, logo, mais televisores ligados. Além disso, as dez vagas permitem menos injustiças como a inexplicável não indicação de Batman - O Cavaleiro das Trevas no ano passado. É a Academia mostrando desejo para se modernizar e – antes tarde do que nunca – reconhecer boas realizações no reino dos blockbusters. A escolha entre Avatar, Guerra ao Terror e Amor sem Escalas [os verdadeiros concorrentes nessa briga] vai definir muito mais que o filme do ano. Na verdade, os membros da Academia vão eleger seu novo modo de pensar e compreender os concorrentes daqui para a frente; ou seja, vão escolher entre continuar buscando apenas a melhor mistura da fórmula “roteiro, história e caracterização”, ou também vão levar em conta a influência comercial e relevância popular do Melhor Filme.
Uma escolha parecida precisou ser tomada nas últimas eleições presidenciais norte-americanas, quando votar em Barack Obama representava apostar no futuro e na mudança, enquanto apoiar John McCain significava a manutenção do status quo político. Traduzindo em termos cinematográficos, a vitória de Avatar vai revitalizar os conceitos da Academia. Se Guerra ao Terror ou Amor sem Escalas vencerem, nos veremos diante de um novo período regido por dramas sérios. Mera questão de posicionamento, afinal de contas, cada um desses três filmes merece a estatueta com louvores.

Leia esta matéria na íntegra na edição 144

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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